sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Terry Fullerton, o maior rival que Senna já teve, segundo o próprio


Relembre o dia em que Ayrton Senna revelou qual foi seu maior rival da carreira

 Fonte:  http://www.ayrtonsenna.com.br/relembre-o-dia-em-que-ayrton-senna-revelou-qual-foi-seu-maior-rival-da-carreira/ 
Após vencer sua última corrida na F-1, na Austrália, em 7 de novembro de 1993, Ayrton foi perguntado na entrevista coletiva, pelo repórter britânico Mark Fogerty, sobre quem seria seu maior rival da carreira. Enquanto muitos esperavam que a resposta seria Alain Prost (que estava ao seu lado), a resposta surpreendeu a todos, já que o brasileiro lembrou do seu grande rival no kartismo: Terry Fullerton.
“Eu teria de voltar a 1978, 1979, 1980… quando estava no kart. Eu tinha um companheiro de equipe… Fullerton, o nome dele era Fullerton. Era muito experiente, e eu gostei muito de correr contra ele. Porque ele era rápido, era consistente, ele era, para mim, um piloto muito completo. E era só corrida, era pura corrida. Não havia política, nem dinheiro envolvido. Tenho uma ótima lembrança daquela época”, disse Senna na entrevista coletiva após a corrida em Adelaide.
Mais experiente no kartismo, Fullerton ficou atrás de Ayrton nos dois vice-campeonatos mundiais do brasileiro, porém, já havia conquistado o tão sonhado título mundial em 1973. O britânico nunca chegou a correr de Fórmula 1, mas acreditava que Ayrton tinha um grande potencial para o futuro, na época.
“Senna sempre foi bom em aproximar as pessoas que tinha ao seu redor. Ele não se propunha fazer isso de propósito, mas ele tinha o tipo de carisma, habilidade e velocidade que levaram as pessoas que trabalharam com ele, realmente apoiá-lo”, disse Fullerton, em entrevista para Tony Dodgins, autor do livro “Senna All his races”.
Depois que Ayrton saiu do kart para correr em carros de fórmula, Fullerton ainda permaneceu no kartismo. Correu até 1984, quando decidiu encerrar a carreira, mas sem abandonar as pistas. O britânico abriu uma academia de pilotos, onde foi instrutor de pilotos que tiveram destaque internacional: Dan Wheldon, Paul Di Resta e Allan McNish.
Hoje, com 62 anos, Fullerton permanece como instrutor de pilotagem, viajando o mundo, e fazendo o que lhe dá prazer: acompanhar corridas e ensinar jovens talentos.
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 TERRY FULLERTON LEMBRA DOS DUELOS COM SENNA NO MUNDIAL DE KART
 Fonte: Pitlane Correio do Povo
:http://www.correiodopovo.com.br/blogs/pitlane/maior-rival-terry-fullerton-lembra-dos-duelos-no-mundial-de-kart/
Ayrton Senna acumulou disputas memoráveis até 1994 contra alguns dos maiores nomes da Fórmula 1. O brasileiro dividiu freadas com os maiores campeões das décadas de 1980 e 1990, Alain Prost, Nelson Piquet, Nigel Mansell e com o jovem Michael Schumacher. Na sua memória, contudo, guardou como maior rival um adversário pouco conhecido: o kartista inglês Terry Fullerton.
Em entrevista coletiva no GP de Adelaide em 1993, a última vitória do tricampeão, Senna relatou que seu maior rival de pista era um desconhecido competidor de Londres que impediu a conquista do único título que faltou no currículo do brasileiro: o mundial de kart. Mais de três décadas depois dos torneios de 1980 e 1981, Fullerton conta como era dividir os boxes e as ultrapassagens com a lenda da F-1.
Primeiro contato
Eu era sete anos mais velho e mais experiente, mas a velocidade na pista era muito similar quando foi apresentado ao time. Para aquela idade (19/20 anos) ele era muito rápido. Não tinha tanta experiência na tática de corrida e no acerto do kart, mas sempre me surpreendeu o detalhismo dele, a dedicação máxima para tentar ser mais rápido.
Relação difícil
No primeiro ano nossa relação era ok, nada mal. No segundo ano, nem tão amistosa e no terceiro ano nada amistosa. Acredito que foi igual ao Alain Prost na McLaren. Eles trocavam informações eram companheiros e depois viraram inimigos.
Fim da parceria e começo da rivalidade
Eu lembro que ele vivia olhando minhas notas de testes em um livrinho que tinha pressão de pneus, acerto de transmissão, chassis, comprimento do sistema de exaustão. Vinha muito para o meu lado da garagem para olhar o livro, enquanto eu nunca fui lá ver o dele. Comecei a não gostar no segundo ano, e perguntei: “Por que você sempre precisa vir aqui olhar minhas anotações”. Ele questionou: “Não quer mais que eu olhe?” e quando dei a negativa, ele atirou o livro no chão. A partir daí se isolou, começou a trabalhar sempre apenas do seu lado. Realmente muito parecido com o que deve ter ocorrido com o Prost.
O grande duelo
Nossa maior batalha foi em 1980, na Copa dos Campeões. Eram três finais e quem ganhasse a última seria o campeão. Ayrton disparou na frente, mas a partir da metade comecei a chegar, consegui atacar na última volta, ele tentou se defender, mas ultrapassei e levei o troféu. Ele ficou muito bravo, realmente furioso, mas eu aproveitei demais aquela vitória.
Disputas limpas
Nós sempre corremos limpo. Sempre tivemos muito respeito na pista, sem toques, sem batidas. Eram disputas muito duras, mas nada de empurrar ou tirar o outro da pista. Nunca tive qualquer problema desses.
Senna fora dos kartódromos
A gente conversava no restaurante e nos hotéis, tivemos muitas conversa. Apesar de jovem, reparava que ele sempre era muito sério sobre as corridas. Sem muitas piadas, sempre concentrado na corrida, falando do pneu, falando dos mecânicos e engenheiros. Mesmo fora da fábrica. Algumas vezes no hotel, no início da noite, tínhamos guerrinhas de água ou de comida. Vi algumas risadas naquelas oportunidades, mas foram poucas.
Curtir era vencer
Acredito que Ayrton curtia demais o kart e aproveitava ainda mais o ambiente competitivo. Eu aproveitava as viagens, a camaradagem, conhecer novas pessoas, claro que sempre focado e curtindo mais andar na frente. Ayrton era parecido, mas muito mais focado nesta questão de vencer. Quando ele não vencia, dava para ver que curtia bem menos e era possível ver que vibrava muito quando era o primeiro.
O dia da morte
Em 1994 eu estava testando na França naquele dia, com um novo modelo de kart. Estava num ferryboat cruzando para a Inglaterra quando alguém me contou que Ayrton tinha morrido. Não podia acreditar e arranjei um telefone no navio para ligar ao meu irmão. Ele me relatou que o Ayrton tinha morrido, lembro que estava chorando na ligação e eu também fui às lágrimas.
                           Senna e Fullerton criaram escola na Europa em meio às suas disputas. Arquivo Pessoal

   Mais experiente, britânico Terry Fullerton(acima) acompanhou rápida evolução do colega de time na italiana DAP
                    Senna estreou o inesquecível capacete amarelo exatamente nas batalhas com Fullerton

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