A grande atração do Grande Prêmio do Japão era para
ser a decisão do título mundial entre Nigel Mansell e Nelson Piquet, ambos com
as velozes Williams. Mansell precisava vencer ali e na última prova, na
Austrália, torcendo por tropeços de Piquet em ambas as corridas.Esperava-se um
duelo de titãs nas duas pistas, mas ele não aconteceu porque Mansell
acidentou-se nos treinos de Suzuka após uma batida violenta e precisou ser
levado para o hospital. O britânico teve uma forte lesão na costela e por isso
não participou da corrida. Assim, Piquet já largaria como campeão no
Japão.Apesar do acidente de Mansell, o primeiro GP em Suzuka teve outras
diversas atrações. A maior delas foi justamente Ayrton Senna. A equipe Lotus
tinha dificuldades para o acerto nos treinos e o brasileiro ficou apenas com o
sétimo lugar no grid, que teve Gerhard Berger (Ferrari) como o pole position
com o tempo de 1min40s042.O austríaco teria Alain Prost, da McLaren, ao seu
lado na primeira fila. Em terceiro estava a Benetton de Thierry Boutsen e a
Ferrari de Michele Alboreto iria largar em quarto. Piquet era o quinto, Teo
Fabi largaria em sexto e Senna apenas em sétimo lugar.A largada de Ayrton Senna
surpreendeu Piquet, Teo Fabi e Alboreto, todos ultrapassados pela Lotus ainda
antes da primeira curva. Berger manteve a ponta com Prost em segundo e Boutsen
em terceiro. No meio da volta inicial, a McLaren de Prost teve seu pneu
traseiro esquerdo furado e com isso Senna subiu para o terceiro lugar. Piquet
vinha logo atrás de Ayrton na quarta colocação.Enquanto isso, Berger disparava
na frente com um ritmo muito superior ao dos adversários. Na 12ª volta, Senna
encostou em Boutsen e ultrapassou o piloto da Benetton. Na sequência, com uma
perda de rendimento no motor Ford, o piloto belga também foi ultrapassado por
Nelson Piquet e pelo sueco Stefan Johansson, da McLaren, caindo assim para o
quinto lugar. Berger era o primeiro, Senna estava em segundo e Piquet em
terceiro.Como a vantagem de Berger era de 12 segundos para Senna e o motor
Ferrari rendia melhor no veloz circuito de Suzuka, o brasileiro não tinha como
tirar esta vantagem. Ayrton precisava mesmo era se preocupar em segurar Piquet,
que tentava de todas as formas ultrapassá-lo.Johansson colou nos dois
brasileiros e apostou em parar primeiro para superar os dois pilotos no
pit-stop. A tática daria certo após todos fazerem suas trocas de pneus. Com a
entrada de Berger no boxes na volta 25, Ayrton chegou a liderar a corrida por
uma volta e depois também fez a sua parada junto com Piquet. O trabalho da
Lotus foi melhor e Senna retornou à pista em terceiro, com uma vantagem maior
sobre o rival, mas essa diferença foi tirada pela Williams em uma volta.Após
segurar Piquet por 40 voltas, Senna conseguiu ter um descanso por causa de um
problema no motor da Williams, que causaria um abandono cinco voltas depois por
causa de um vazamento de óleo do seu carro na parte traseira.Faltando menos de
cinco voltas para o final, Senna ainda estava 10 segundos atrás de Johansson. O
piloto da Lotus forçou o ritmo e foi tirando aproximadamente dois segundos por volta
até realizar a ultrapassagem sobre o sueco na abertura da última volta, para
delírio dos japoneses que estavam conhecendo seu maior ídolo das pistas.Berger
cruzou a linha de chegada em primeiro com 17s384 de vantagem para Senna, que
fechou a prova apenas 0s310 na frente da McLaren de Johansson. Com o resultado,
Senna chegou aos 57 pontos e tinha chances até de ser vice-campeão mundial em
Adelaide, na Austrália, já que Mansell não participaria da corrida final da
temporada. O inglês permaneceu com 61 pontos e Piquet garantiu seu
tricampeonato com 73 pontos.Após um período ruim da Ferrari, a equipe italiana
voltava a vencer após um jejum de 37 corridas, equivalente a 2 anos e 3 meses.
O último triunfo havia acontecido no GP da Alemanha de 1985 com Michele Alboreto.
A vitória no Japão foi a segunda de Berger na carreira.
Fonte: História de Ayrton Senna http://www.ayrtonsenna.com.br/piloto/
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